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Onde Estão as Mulheres na Política Catarinense?

20 de junho de 2025

A Disparidade da Representatividade em SC

Mais da metade da população de Santa Catarina é formada por mulheres. De acordo com o Censo de 2022 do IBGE, elas representam 50,71% dos habitantes do estado, somando cerca de 3,8 milhões de pessoas. Ainda assim, essa maioria não se traduz nos espaços de poder. Das 40 cadeiras da Assembleia Legislativa, apenas 4 são ocupadas por mulheres, sendo uma delas suplente. Na Câmara dos Deputados, entre os 16 representantes catarinenses, 6 são mulheres. No âmbito municipal, o número é ainda mais limitado: apenas 13,2% das prefeituras são lideradas por mulheres, o equivalente a 39 prefeitas entre os 295 municípios do estado.

Por Que Essa Lacuna Existe?

Essa disparidade não reflete uma falta de interesse por parte das mulheres, mas sim a persistência de obstáculos que limitam o acesso a espaços de decisão, muitos deles sutis, históricos e enraizados nas formas como a política se organiza e se comunica. Durante muito tempo, fomos afastadas desses ambientes, e hoje ainda são poucas as referências, os incentivos e as estruturas que estimulam e preparam mulheres para a vida pública.

Mudar esse cenário exige ampliar o acesso ao debate político e romper com a ideia de que política é um assunto distante ou restrito a quem ocupa cargos públicos. Política está presente nas decisões que afetam o nosso dia a dia, como o funcionamento da creche, o custo do transporte, a distribuição de recursos públicos e a criação de leis que podem ampliar ou limitar direitos. À medida que mais mulheres compreendem essas estruturas e percebem como elas interferem diretamente na sua realidade, torna-se mais evidente a importância de participar.

Iniciativas para Mudar o Cenário

É justamente por isso que a participação feminina na política precisa ser fortalecida. Quando as mulheres ocupam espaços de decisão, elas trazem consigo um olhar mais atento para temas muitas vezes negligenciados, como a violência doméstica. Em 2024, Santa Catarina registrou mais de 76 mil crimes contra mulheres, incluindo mais de 1.500 casos de estupro e estupro de vulnerável, segundo dados do Tribunal de Justiça. Esses números demonstram, de forma contundente, a urgência de políticas públicas comprometidas com a proteção e a dignidade das mulheres. E não há ninguém mais preparado para propor soluções eficazes do que aquelas que vivenciam essa realidade. A representação importa! A presença feminina tanto no Executivo quanto no Legislativo amplia o foco sobre problemas estruturais e contribui para decisões mais conectadas à realidade cotidiana da mulher catarinense.

Diante desse cenário alarmante, iniciativas que formam e fortalecem lideranças femininas tornam-se ainda mais essenciais. Organizações como o LOLA Brasil têm um papel fundamental nesse processo. Ao unir formação política, capacitação técnica e estímulo à liderança, o LOLA cria um ambiente seguro e acolhedor para que mulheres de diferentes regiões, idades e realidades possam descobrir seu potencial e se preparar para atuar na política e no mercado de trabalho. A organização está presente em 18 estados do país e desenvolve ações que vão desde oficinas formativas até o acompanhamento direto de lideranças femininas em seus territórios. Espaços como esse são raros e extremamente necessários. Eles não apenas despertam o interesse pela política, mas também ajudam a construir autoconfiança, rede de apoio e protagonismo.

O Papel da Sociedade Civil

A transformação que desejamos na política começa quando mais mulheres se reconhecem como agentes ativos na construção do futuro. A participação política não se limita ao voto. Ela envolve compreender como as leis são formuladas, como os recursos públicos são distribuídos e como as decisões impactam diretamente o nosso cotidiano. Para que mais mulheres ocupem esses espaços, é preciso primeiro despertar o interesse, ampliar o acesso à informação e oferecer suporte para que elas se sintam preparadas e seguras para participar.

Esse processo de incentivo não precisa partir do Estado. A sociedade civil pode e deve se mobilizar para criar redes de apoio, espaços de formação e ambientes que valorizem a autonomia e o protagonismo feminino. Precisamos fomentar o interesse por política de forma horizontal, acessível e contínua. Esse processo de transformação política começa quando as mulheres passam a se reconhecer como agentes ativas na construção do futuro. E, ao ocupar esses espaços, passam a influenciar a criação de leis, a formulação de políticas públicas e a construção de soluções mais justas e conectadas com a realidade.

O fortalecimento da liberdade feminina passa por isso, por informação, por mobilização e por coragem. Em Santa Catarina, mais mulheres precisam se reconhecer como protagonistas políticas. Porque quando ocupamos espaços de decisão, construímos um estado mais justo, livre e conectado com a nossa realidade. Essa é uma mudança que fortalece não apenas as mulheres, mas toda a sociedade. Ao empoderar as mulheres na política, pavimentamos o caminho para uma Santa Catarina mais equitativa, inovadora e representativa para todos.

Camilla Teixeira

Cientista Política formada pela UNIRIO. especialista em políticas públicas. Diretora de Núcleos do LOLA Brasil.
Atua com fortalecimento institucional e planejamento urbano.



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