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A Agenda Progressista é o Player 1?

25 de abril de 2025
The Elder Scrolls IV: Oblivion

“Luke, eu sou o seu progenitor” — Achou estranho? É que a palavra “pai” pode ser um gatilho para algumas pessoas, sabe?

É bizarro, né? Mudanças como essas acontecem com mais frequência do que você imagina em livros na Amazon e, agora, até em jogos de videogame. Mas fica tranquilo, o clássico “O Império Contra-Ataca” continua da forma que você conhece (por enquanto).

Mudanças descabidas como o exemplo acima aconteceram aos montes em clássicos como “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, “James e o Pêssego Gigante”, “Matilda” e “O Fantástico Sr. Raposo”. No livro sobre a Fantástica Fábrica de Chocolate, por exemplo, Augustus Gloop não é mais descrito como “gordo”, e sim como “enorme”. Já no livro “As Bruxas”, Roald Dahl descreve as bruxas como carecas por baixo da peruca na sua versão original. Versões atualizadas na Amazon tiveram a frase “Há muitas outras razões pelas quais as mulheres podem usar perucas, e certamente não há nada de errado com isso” adicionada. Por qual motivo? Você já sabe qual.

Um exemplo de que a Agenda Woke vive firme e forte está na recente remasterização do jogo “The Elder Scrolls IV: Oblivion”, um RPG lançado originalmente em 2005. Nele, o jogador podia escolher o sexo do seu personagem entre “Homem” e “Mulher”, porém, na remaster, as opções são “Tipo 1” e “Tipo 2”. É isso mesmo? Homens e mulheres foram resumidos a dois números? Quando alguém faz a transição de gênero, escolhe um número? Por acaso Simone de Beauvoir disse: “Ninguém nasce tipo 1, torna-se tipo 1”?

Alguém pode argumentar “ah, é uma mudança insignificante, não vai afetar as vendas do jogo” — E, ao que parece, não vai mesmo. Desde o lançamento, o game tem se mostrado um sucesso comercial, mas se é mesmo uma mudança insignificante, por que mudar? Outras alterações no jogo foram percebidas nos modelos das NPCs femininas (Personagens Não Jogáveis). Feições como curvas suaves do rosto e corpo foram substituídas por formas mais masculinizadas, como o “DEI chin”, queixo quadrado em personagens femininas — opa, tipo 1. Desculpe.

Essas alterações acontecem até mesmo quando o conteúdo é adaptado para a TV. Quem não fica com um pé atrás quando uma “versão Netflix” é anunciada? “Devil May Cry”, uma série de jogos, é um exemplo recente. Na série adaptada, os demônios passaram a ser uma alegoria para refugiados que só querem um lugar melhor para viver.

No cinema, o clássico “E.T. O Extraterrestre” sofreu uma alteração na cena em que Elliot e o E.T. voam pela primeira vez de bicicleta. Na versão atual, as armas nas mãos dos policiais foram substituídas por rádios. Qual a necessidade de se gastar horas do trabalho de um artista de efeitos visuais para apagar as armas do filme? A magia da cena está no E.T. voando de bicicleta com seu amigo humano, e não nos policiais.

Ontem foi a vez de um livro infantil. Hoje é um RPG. E amanhã, o que será? Sauron se tornará uma minoria? Super Mario será o vilão? Uma versão IA de Renato Russo cantará a história do malvado João de Santo Cristo, que matou um trabalhador que traficava apenas para sobreviver? Sinceramente, não me surpreenderia.

Livros, jogos e filmes são registros históricos da humanidade, que mostram nossa evolução cultural. Conteúdos datados podem ter temas inadequados para hoje, mas, em vez de alterá-los, devemos produzir novas histórias inclusivas. Preservar o passado é crucial para entender nossa cultura e não impede a criação de um futuro com novas narrativas. Então, leitor, o que você prefere: preservar nossas memórias culturais ou deixá-las se transformar em meros rascunhos de um presente que não para de alterá-las? Vamos guardar as cápsulas do tempo e contar histórias novas com o controle na mão.

Adelar Martins

Adelar Martins

Aluno da grande escola autodidata da vida, Adel é videomaker, fotógrafo, músico, geek e autista com hiperfoco em arte.

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