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Dias Toffoli: O “Zé do Resort” entre Sol, Sombra e Sentenças sob Medida

21 de janeiro de 2026

O cenário parece saído de um roteiro de suspense político de quinta categoria, mas é o Brasil de hoje. De um lado, um padre que troca o voto de pobreza por cotas milionárias em um empreendimento de luxo. Do outro, um ministro do STF que parece não enxergar barreiras éticas entre sua toga e os seus negócios de sua família. No centro, o Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro (PR), um oásis de luxo onde as conexões entre o Judiciário, o sistema financeiro e investigações pesadas se encontram para um brinde cafajeste. Eis a crônica de Dias Toffoli, o ‘Zé do Resort’, em uma trama onde o sol brilha para poucos, as sombras escondem muito e as sentenças parecem sair sob medida.

O Padre que Descobriu o Capitalismo

José Carlos Dias Toffoli, irmão do ministro e ex-pároco em Marília, protagonizou um milagre financeiro: como um padre de paróquia modesta tornou-se sócio de um resort milionário? 

A revelação de que ele e outros familiares detinham participações via a empresa Maridt Participações causou o óbvio: revolta na diocese e um afastamento estratégico para “descanso espiritual”. Mas o que o espírito busca no Tayayá parece ser bem material. O resort, que opera sob uma estética de cassino (com máquinas de jogos que desafiam a linha da legalidade brasileira), é o ponto comum de uma rede de interesses que dá náuseas em quem ainda acredita na imparcialidade judicial.

A Teia: Quando o Juiz vira “Parte”

A promiscuidade entre o público e o privado aqui atinge o ápice. A cronologia das vendas das cotas do resort da família Toffoli não é apenas um negócio, é um mapa de favores:

  • O Fundo Arleen: Em 2021, metade da participação dos irmãos de Toffoli foi comprada pelo fundo Arleen, administrado pela Reag Investimentos. O cotista desse fundo? O pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro (dono do Banco Master).
  • O Conflito Escancarado: Enquanto sua família fazia negócios com figuras ligadas ao Banco Master, Toffoli sentava-se na cadeira de relator de casos de interesse direto desse mesmo grupo no STF.

Apenas “coincidência”?  Como um ministro pode julgar processos de quem, indiretamente, injeta milhões nos negócios de seus irmãos? 

De Dirceu à J&F: O Juiz Amigo

O histórico de Toffoli é coerente em sua parcialidade. Ele foi o homem de confiança de José Dirceu na Casa Civil. Quando chegou ao STF, recusou-se a declarar impedimento e tentou absolver o ex-chefe no Mensalão.

Mais recentemente, ele foi o “salvador” da J&F, suspendendo a multa bilionária de R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência do grupo. Curiosamente (ou não), advogados ligados a esses mesmos impérios circulam livremente pelo Tayayá, o resort onde Toffoli tem casa, barco e tratamento de imperador, chegando em jatinhos de empresários que flertam com o submundo da Operação Carbono Oculto.

O Veredito da Opinião Pública

O que falta para suspender Toffoli? No papel, falta coragem ao Senado. Na prática, falta vergonha na cara institucional.

O STF deveria ser o guardião da Constituição, mas Toffoli o transformou em um balcão de negócios para amigos, ex-chefes e financiadores de resorts. O Brasil normalizou o absurdo: um juiz que não apenas apita o jogo, mas é sócio do dono do estádio e janta com o técnico do time que ele acaba de absolver.

O Tayayá não é apenas um resort. É o símbolo de uma justiça que se vendeu, que se refresca nas águas de Ribeirão Claro enquanto o país afunda no descrédito.

Sâmila Monteiro

@samilapmt

Co-fundadora do Negra Livre e Geopolítica (PUCPR).

Um comentário sobre “Dias Toffoli: O “Zé do Resort” entre Sol, Sombra e Sentenças sob Medida”

  1. Giovani Monteiro

    Quando quem poderia mudar está nas mãos de quem precisaria ser mudado. Será que algum pensador já conseguiu resolver essa equação, pelo menos na teoria?
    – Platão pensava que a solução seria excluindo os não-transformados — mas isso flerta com elitismo e utopia – quem seriam os transformados?
    – Aristóteles propôs formar hábitos virtuosos por meio das leis. O problema é que o legalismo não transforma o interior;
    – Maquiavel foi honesto “até o osso” ao afirmar que governos não são virtuosos assim como o povo também não é. Por isso propôs uma solução funcional, não moral: Não confie na bondade; organize o poder de modo que a maldade não destrua tudo. Por Deus, como?!
    – Hobbes propôs submeter todos a um poder maior, um Leviatã. O problema é quem controla o Leviatã (acho que esse é o problema do nosso Brasil, o incontrolável chantagista “leviatã da capa preta”, kkk!);
    – Rousseau propôs o povo como agente de mudança, mas nós já sabemos que o povo pode ser manipulado;
    – Agostinho (assim como eu) acreditava que a solução precisa ser transcendental. O problema é que isso passa pelo arrependimento, considerado por muitos como uma fraqueza.
    Ou seja, a equação não foi resolvida, porque talvez não seja resolvível nos termos da política. O que a teoria conseguiu fazer foi:
    • substituir esperança moral por limites institucionais.
    • trocar “homens bons” por “sistemas que sobrevivem a homens maus”.
    • Complicado!

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