O povo cansou de democracia. Queremos de volta a corrupção.
Sim, você leu certo. Mas eu explico.
Entre 2014 e 2019, o Brasil viveu um raro apogeu: a corrupção dominava o debate público. Era o principal tema da política e também da mesa do almoço.
A Lava Jato virou quase uma série de TV. Delatores se tornaram celebridades, ministros do STF passaram a ser reconhecidos na rua e as pessoas comuns, pela primeira vez em muito tempo, sentiram que o Brasil poderia mudar para sempre.
Naquela época, vivia na boca do povo algo concreto: a corrupção. Cadeia para quem roubava. Era simples e direto, dava resultado. O brasileiro estava obcecado por moralizar a política.
No entanto, com o tempo, a conversa mudou. A palavra corrupção saiu de cena. E, no lugar dela, enfiaram a tal “democracia”.
Foi aí que o país parou no tempo, porque corrupção exigia investigação, corte de privilégios e dura punição… mas, democracia?
Democracia não exige quase nada.
Afinal, o que é democracia? Como se mede? Onde se entrega? Qual é o resultado prático de mais “democracia”?
Sarah é o tipo de personagem que a narrativa do mundo secular não consegue enquadrar. E por isso, em vez de atacá-lo frontalmente, a esquerda prefere ignorá-lo. Fingir que não viu.
Convenhamos: no fundo, ninguém sabe.
Virou um conceito abstrato, elástico, que serve para tudo e para todos. Falar de democracia é perfeito para quem não quer entregar nada. Hoje, basta repetir “defendemos a democracia” — e pronto! Está resolvido. Mesmo que o povo esteja mais pobre e que as decisões sejam cada vez mais autoritárias e duvidosas.
Enquanto o discurso era moralização, os políticos precisavam mostrar resultado. Agora, basta parecer do bem. Hoje, tudo é sobre “preservar a institucionalidade”… seja lá o que isso queira dizer.
Que saudade da corrupção, ou melhor: do tempo em que dois terços do país falavam sobre ela.
No fim das contas, a corrupção nunca foi embora da política, mas da opinião pública, sim. E o resultado disso é mais uma década perdida no Brasil.
Mas já foram tantas perdas… de que importa mais uma, não é mesmo?

Henrique Flores
Católico. Estrategista de Comunicação Política, com foco em discurso e posicionamento.
Marketing: Influência e Mídias Digitais (PUCRS)

