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Queimem-no! O Bobo na Fogueira e o Rei Aplaudido

5 de setembro de 2025

Em um reino afundado em corrupção e miséria, o povo lutava diariamente por sua sobrevivência. A esperança, aos poucos, era soterrada por uma realidade mantida por governantes incompetentes e por uma elite estatal indiferente.. Cercados por conflitos intermináveis, fome generalizada e governantes corruptos, os indivíduos tinham sua esperança corroída, pouco a pouco, por uma realidade que os consumia de forma constante, minando qualquer expectativa de um futuro melhor.

Entretanto, no meio desse cenário caótico, surge então o bobo da corte — talvez o único símbolo de liberdade em um ambiente sufocado pela opressão moral das elites. Rindo dos poderosos e zombando da própria condição, ele revelava verdades por trás do riso.  Zombando da própria miséria, ele passou a levar divertimento enquanto dizia verdades incômodas em forma de piadas. Certo dia, diante da incapacidade de lidar com os problemas do reino,o rei decide queimá-lo em praça pública — não por ameaça real, mas porque o riso desafiava o monopólio da narrativa. Assim, a omissão e os crimes da coroa recaíam sobre a piada.

Embora soe alegórico, essa fábula trágica descreve com fidelidade o Brasil de 2025.  Um país devorado internamente por graves problemas econômicos e sociais, que tem buscado solucioná-los por meio da censura a comediantes que ousam expor, com ironia, as falhas de um Estado inchado, ineficiente e corrupto.  Enquanto políticos ostentam viagens, mordomias e luxos bancados com dinheiro público, o povo é esmagado por impostos abusivos, serviços públicos decadentes e uma máquina estatal que serve a si mesma, não à população.

No mesmo tempo em que a impunidade paira sobre o país, elites políticas e seus aliados ideológicos propõem “soluções” autoritárias: calar piadas, censurar opiniões e controlar o discurso ao impedir comediantes  de fazerem piadas e influenciadores de expressarem opiniões contrárias carregadas de “fake news”. Mas qual a razão por trás de tais atos autoritários e grotescos? Ora, combater a dura realidade que assola o povo é uma tarefa árdua e complexa; por isso, censurar piadas e comentários é evidentemente o caminho mais fácil para que as autoridades possam gerar a sensação de estarem de fato fazendo algo. Nesse viés, deve-se levantar o seguinte questionamento: até quando essa ilusão barata será suficiente para continuar enganando o povo?

“Se você é o tipo de rei que não consegue tolerar o bobo, então você é um tirano.” — a frase de Jordan Peterson resume o pânico dos autoritários diante da liberdade de expressão e demonstra com precisão o fenômeno por trás das ações contra os humoristas, em especial no caso da condenação de Léo Lins. Agora, mais do que nunca, vestir a camiseta da moralidade —para justificar atos de censura e impedir que comediantes exerçam sua arte— virou a nova moda entre jovens revolucionários de apartamento e pseudo-intelectuais de esquerda.

Entretanto, apesar das aparentes boas intenções, o objetivo real dos governantes e de sua elite torna-se cada vez mais evidente: punir e calar todos aqueles que ousam proferir algo que não os agrada. Tal atitude, movida pela força bruta e coercitiva natural do Estado, pode ser encontrada em diversas eras da história da civilização humana. Todavia, o aspecto de maior espanto se encontra no apoio preocupante de uma população cada vez mais dependente do governo e hostil à divergência.

Com egos frágeis e a razão atrofiada , o brasileiro tem perdido, pouco a pouco, não apenas a capacidade de enxergar o verdadeiro problema que o aflige, mas também de tolerar ideias distintas. Com isso, o povo, anestesiado por narrativas manipuladas, tem se tornado cúmplice de uma tirania que se apresenta como virtude. Não é a fila interminável nos hospitais, nem os milhões gastos em esbanjos da primeira-dama, tampouco o salário que mal paga a cesta básica — é o humor e a ironia em palcos de comédia que ameaçam o as bases do país.

No fim, não é sobre opiniões ou ideologias — é sobre liberdade. Estamos queimando os últimos que ousam rir, enquanto a corte corrupta continua aplaudida e intocável, vivendo em seus luxuosos palácios sustentados por recursos públicos, enquanto ditam o que é ou não digno de ser engraçado.

Eduardo Rocha
Coordenador do Instituto Atlantos e do Students for Liberty Brasil

Instituto Atlantos

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