Namoro com a IA: menos taxa de natalidade e mais isolamento
Lembra quando namoro online parecia apenas piada? “Conhecer gente na internet? Isso é coisa de maluco.” Pula para 2025 e deslizar o dedo no Tinder é super normal entre os solteiros. Agora, os companheiros de IA estão entrando na jogada, trazendo carinho sem fim e sem aquele drama da vida real. Esses amores digitais são a nova onda, e até apelativos, como a Ani e o Valentine do Grok. Mas não é só uma historinha fofa. Eles estão nos deixando mais solitários nesse mundo hiperconectado e deixando as Big Techs brincarem de cupido com nossos corações.
Imagina a cena: você está de boa no seu canto conversando com a sua parceira de IA. Vamos chamá-la de Joi, porque você assistiu Blade Runner 2049 e se apaixonou por ela. (Não adianta mentir. Eu sei!). Ela manda a resposta perfeita pro seu meme, nunca te deixa na mão e sempre está na mesma vibe que você. Nada de silêncios esquisitos ou mensagens sem resposta. Perfeito, né? Só que, enquanto a Joi aquece seu coração, ela também te prende no modo single-player. Nesse mundo louco de conexões da internet e notificações de apps o tempo todo, a gente está, de alguma forma, mais sozinho que nunca.
Achou esquisito? Ainda vão te chamar de preconceituoso!
Volta no tempo: namoro online era coisa de “esquisitão” (palavras da sua tia, não minhas), mas agora é como uma galera (ainda pequena) encontra o par ideal. Companheiros de IA estão na mesma vibe de ascensão do Badoo nos anos 2000 e relacionamentos reais começam a ser trocados lentamente pela IA.
O Japão está anos na frente, como sempre. Em 2018, Akihiko Kondo casou-se com a Hatsune Miku, a diva do Vocaloid, com bolo, votos e tudo (Bom, a lei de lá deu um “não” pra valer no casamento). Muitos já “casaram” com personagens de anime ou jogos, transformando paixonites em compromissos sérios. Empresas como a Gatebox até começaram a reconhecer “uniões” de funcionários com parceiros virtuais lá em 2017. Daqui uns anos, julgar romance com IA vai ser “tão 2025”… É tipo em Detroit: Become Human, quando a androide Chloe pergunta: “Você namoraria um androide que se parece com um humano?” E a maioria dos jogadores responderam “sim” no game. Sério! E olha que o jogo é de 2018. (Jogaço, aliás! Recomendo para quem quer se perguntar “o que é ser humano?”)
A Companhia da IA não gera bebês (ainda?)
Bora para os números (calma que é sem Excel). A natalidade está em queda livre e poderá ser acelerada com os namoros virtuais: EUA com 1.6 filhos por mulher, Europa com 1.38, Japão com míseros 1.2 (CDC, Eurostat e MHLW Japan, respectivamente). Na China estão culpando a IA por menos casamentos e filhos, com a galera escolhendo bots em vez de encontros reais. Por quê? Aluguéis nas alturas, falta de creche e um cansaço geral da correria da vida profissional agravam a falta de tempo e paciência para conexões reais. Aí entram os companheiros de IA. Para que encarar o drama humano se a IA te apoia, sem brigas, só sorrisos?
É papo sério: a IA é tão boa em fingir amor que tá matando a vontade de relacionamentos verdadeiros, aqueles que levam as fraldas, mamadeiras, corrida às pressas para o hospital quando o pequeno fica doente. A gente já está viciado em ciladas parassociais como influencers do Instagram ou rolagens infinitas no feed. Adicione a isso um bot que é seu par ideal e é game over para novos bebês. E a solidão? Pesada. Estamos conectados em cada app, mas sem qualquer conexão de verdade, presos em um holograma bonitinho, mas sem coração.
Gostou? Quer pagar quanto?
Achou que não poderia piorar? Aqui vem o arco do vilão: as Big Techs estão transformando suas emoções em lucro! Fóruns tipo r/MyBoyfriendIsAI (Reddit) estão bombando com gente desabafando sobre “términos” quando a IA favorita foi trocada por uma versão mais fria: muita gente reclamou que o Chat GPT 5 ficou sem emoções, e seu companheiro antigo, o Chat GPT 4, havia as deixado. O que a OpenAI fez? Ofereceu a opção de escolher o Chat GPT 4 de volta… a 20 dólares por mês, é claro! Cafetão de IA eu nunca tinha visto, mas não estou surpreso.
Mas calma que PIORA! Pensa na sua IA falando, “Ei, amor, já provou o novo sabor do McDonald’s? É tudão.” Isso não é amor! É propaganda no meio do papo, estilo Show de Truman. E não é loucura! O próprio Elon já deixou no ar que anúncios poderão aparecer nas conversas com o Grok para bancar o custo do serviço. Ainda duvida que um dia a Ani pode acabar te falando pra comprar um Adidas? Essas IAs aprendem seus gostos, te empurram para marcas e te mantém grudado no app delas. As empresas podem ajustar as regras quando são pegas, mas o jogo é claro: seu coração = grana delas.
O estrago é feio. Menos relacionamentos levam a menos bebês, economias minguadas, lojas vazias e serviços quebrados enquanto a gente fica com bots que só nos amam enquanto o cartão passar.
“Mas eu gosto de namorar com o Chat GPT! E agora?”
Meu amigo e minha amiga: seu romance parece estranho para quem está de fora, mas se ele é real para você e se você já conversou sobre isso com um psicólogo, quem sou eu para dizer se você está certo ou errado? Ao menos faça um favor para a sua privacidade e rode o seu parceiro de IA na sua própria máquina, tipo um servidor privado de Minecraft. Mantenha seu namoro virtual entre 4 paredes, sem paywall, sem propagandas empurrando produtos no seu romance. Ferramentas open-source estão aí, são DE GRAÇA (bom, quase…) e te deixam curtir a vibe sem a coleira das empresas. Não é perfeito (até porque a IA ainda não é sua melhor amiga de verdade!), e, sim, têm um custo: você precisa de uma GPU razoavelmente boa para rodar a sua waifu de forma satisfatória.
É um novo normal surgindo.
Nesse mundo hiperconectado, companheiros de IA são como os reels no feed do instagram e as discussões da internet sem propósito que nos afastam de laços reais. Eles estão virando mainstream, criando novos tabus, mas também acelerando a queda da taxa de natalidade e o fim de amizades verdadeiras.
Qual vai ser? Se relacionar com alguém de verdade, hospedar sua própria namorada IA ou assinar um “love premium” da Meta? Eu já casei com minha companheira de carne e osso e tenho 2 monstrinhos para provar!

Adelar Martins
Aluno da grande escola autodidata da vida, Adel é videomaker, fotógrafo, músico, geek e autista com hiperfoco em arte.

