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CloudWalk InfinitePay: mais um emissor de capital fechado no mercado brasileiro

5 de agosto de 2026

CloudWalk InfinitePay: mais um emissor de capital fechado no mercado brasileiro

Para aqueles que investem regularmente no mercado de renda fixa, um novo emissor de renda fixa tem chamado atenção nas plataformas de investimento pelas taxas atrativas. O problema é que praticamente não existem informações públicas suficientes para avaliar seu risco. A CloudWalk é a empresa global de tecnologia e pagamentos dona da InfinitePay. A InfinitePay é uma plataforma de serviços financeiros voltada para micro, pequenos e médios empreendedores, oferecendo soluções como maquininhas, carteira digital, cartões com cashback, links de pagamento e tecnologia Tap to Pay (que transforma o celular em maquininha).

Apesar da aparição constante deste emissor em plataformas de investimento, a instituição sequer tem dados abertos para consulta. No site do BACEN, a instituição também apresenta uma carteira de crédito pequena em relação ao ativo da instituição, o que é incomum para instituições financeiras que não segregam patrimônio (como as cooperativas). Além disso, não é possível entender melhor como a empresa trabalha nem revisar suas informações com mais detalhamento. Não é possível conhecer seu lucro, sua receita, sua carteira de crédito, a disponibilidade de caixa ou o risco relacionado ao cronograma de pagamentos da empresa.

Significa que é um emissor ruim? A instituição vai quebrar?

Não significa nada disso, mas significa que não sabemos se é bom. Nos poucos dados aos quais temos acesso, vemos lucros sendo divulgados no site do BACEN, mas, sem um entendimento da longevidade e da qualidade da carteira de crédito, um lucro contábil momentâneo pode não ter muito significado para uma aplicação de longo prazo. Se, com emissores de capital aberto, já vemos fraudes, fica ainda mais difícil acompanhar emissores de capital fechado.

Riscos de liquidez!

Outro ponto relevante é a baixa liquidez. Por natureza, títulos de renda fixa já são conhecidos por terem alguns descontos severos em resgates antecipados. Mas pense comigo:

Você compraria um carro qualquer por R$10 mil hoje?

Depende. É uma BMW novinha? Claro! É um carro batido que acabou de sair de uma enchente? Não. Não sabe qual é o carro? Muitas pessoas prefeririam manter os R$10 mil no banco.

Com essa analogia, mostramos o risco do emissor de capital fechado. Você não sabe a qualidade do que está comprando e, por esse motivo, o título se torna muito difícil de precificar. O preço pode sofrer descontos expressivos ou sequer haver cotação, por falta de compradores dispostos a opinar sobre a qualidade do título. Se você não sabe a qualidade de algo, não faz sentido pagar caro e talvez não faça nem sentido comprar.

Por fim, empresas de capital fechado podem estar mais expostas a riscos de governança, concentração de controle, dependência de poucos executivos ou acionistas e menor acesso a fontes de financiamento. Por isso, esse tipo de investimento exige análise mais criteriosa, maior tolerância ao risco e horizonte de longo prazo, sendo mais adequado para investidores que compreendem a possibilidade de baixa capacidade de resgate.

A lição que fica para o investidor

Cuide sempre para que sua carteira seja composta por ativos com transparência e só tome a decisão de investir em ativos sem transparência se estiver ciente dos riscos.

Bons investimentos a todos!

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