A Copa da Perseguição Religiosa

A Copa da Perseguição Religiosa
Estamos em meio à Copa do Mundo de 2026, a maior de todas na história. A festa está imensa, pela primeira vez sendo disputada em três países simultaneamente e contando com 48 participantes. Mas você sabia que em muitas dessas nações representadas por suas seleções a Igreja não goza de plena liberdade religiosa e, em alguns desses países, os cristãos são até mesmo violentamente perseguidos?
A Copa do Mundo foi idealizada por Jules Rimet, presidente da FIFA por 33 anos, entre 1921 e 1954. Rimet era um francês católico devoto e, para promover a paz entre países que ainda estavam sob tensão após a Primeira Guerra Mundial, teve a ideia de usar o futebol como instrumento para superar divisões culturais, raciais e políticas, valendo-se da linguagem da bola. E, de certo ponto de vista, a iniciativa deu certo.
Contudo, a verdade é que as diferenças e os conflitos continuaram se estendendo, tanto que logo depois da terceira Copa do Mundo, eclodiu o maior dos conflitos da humanidade, a Segunda Guerra Mundial. A Copa, então, voltou a ser disputada somente em 1950. Outra dura realidade que continuou a existir foi a perseguição étnica e religiosa, que já havia deixado marcas profundas nos cristãos durante o Genocídio Armênio, nos anos da Primeira Guerra, pelo Império Otomano (leia aqui), e que ganhou uma escala ainda mais inimaginável contra os judeus com a ascensão do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazi) na Alemanha.
Hoje a violência ainda persiste de maneira horrenda contra o cristianismo, a religião mais perseguida no globo, com 388 milhões de cristãos sofrendo perseguição extrema ao redor do mundo. Esse dado é divulgado pela organização Portas Abertas, que anualmente publica a World Watch List, com o ranking dos cinquenta países onde os cristãos são mais perseguidos no mundo. Desses países, quatorze seleções de futebol classificaram-se para a disputa da Copa do Mundo, com as respectivas colocações no ranking da perseguição contra a Igreja, conforme a lista abaixo. Essas nações poderiam disputar, com exclusividade, entre si, uma verdadeira “Copa da Perseguição Religiosa”:
- Irã — 10ª posição no ranking de perseguição
- Iraque — 18ª posição
- Argélia — 20ª posição
- República Democrática do Congo — 29ª posição
- México — 30ª posição
- Tunísia — 31ª posição
- Marrocos — 23ª posição
- Egito — 42ª posição
- Catar — 44ª posição
- Arábia Saudita — 13ª posição
- Colômbia — 47ª posição
- Jordânia — 49ª posição
- Turquia — 41ª posição
- Uzbequistão — 25ª posição
Pode parecer surpreendente nossos vizinhos latino-americanos constarem nessa lista. Todavia, no México e na Colômbia, os cristãos, além da intolerância secular já comum em muitos países ocidentais, sofrem com a opressão dos clãs em comunidades indígenas que não aceitam o abandono de suas crenças e rituais por parte dos novos seguidores de Cristo. Além disso, muitos cristãos se colocam em perigo quando se opõem à criminalidade, haja vista que os cartéis operam com quase total impunidade, e, assim, a violência do crime organizado é constante contra a Igreja.¹
Dentre os dez países da África que têm representantes na Copa do Mundo, exatamente metade aparece na lista de perseguição contra cristãos: Argélia, Tunísia, Marrocos, Egito e República Democrática do Congo.
Da Argélia veio Santo Agostinho, o teólogo mais influente da história da Igreja, quer seja para a tradição católica ou protestante. Porém, hoje, a referência desse país que está na Copa do Mundo é a perseguição religiosa estatal contra cristãos. A Igreja na Argélia sofre com o autoritarismo do regime islâmico. O Islã é a religião oficial do país, com 99% dos argelinos identificando-se como muçulmanos. Trata-se do maior país da África em território e possui uma população superior a 40 milhões. Não se sabe o número exato de cristãos, que pode estar entre 50.000 e 380.000. A organização Ajuda Barnabas informa que as leis restritivas impedem o evangelismo e a proclamação pública da fé cristã. Essas mesmas leis tornam quase impossível a abertura de novas igrejas, sendo que as que existiam estão sendo fechadas por não se adequarem às regras oficiais.
Outro país africano na Copa que merece destaque negativo é a República Democrática do Congo (RDC). Apesar de ser um país de maioria cristã, sofre com pobreza, conflitos e dificuldades. No nordeste do país operam mais de 100 grupos armados, entre eles a ISCAP – Província da África Central do Estado Islâmico, grupo terrorista fundado em Uganda que se uniu ao movimento Daesh, popularmente conhecido no Ocidente como Estado Islâmico. Desde 2017, a ISCAP já matou mais de 6.000 cristãos nas províncias de Ituri e Kivu do Norte. A Ajuda Barnabas informa que em meados de 2025, tanto o ISCAP quanto o EI Central publicaram exigências para que os cristãos se convertessem ao Islã, aceitassem a condição de dhimmis ou enfrentassem a morte. Dhimmis são o povo do livro não muçulmano, ou seja, judeus e cristãos, subjugados a obedecer a várias restrições.²
Do Oriente Médio, o representante na Copa do Mundo que não podemos deixar de mencionar é o Irã, cuja fonte de perseguição contra a Igreja é a autocracia islâmica xiita. Somente as minorias cristãs históricas assíria e armênia têm permissão para exercer a fé em seus idiomas, incompreensíveis para a maior parte da população, que fala o farsi. O culto cristão em farsi é proibido. Os iranianos que se convertem ao cristianismo são considerados apóstatas e são frequentemente alvos de repressão. Você pode ler mais sobre a situação do Irã no artigo desta coluna para Negra Livre, que, inclusive, traz relatos e testemunhos pessoais de cristãos iranianos perseguidos pelo regime dos aiatolás.
Se você quer saber mais sobre a situação de cada país nessa triste “Copa da Perseguição Religiosa”, baixe a World Watch List, da Portas Abertas, e o Guia de Oração pela Igreja Perseguida, da Ajuda Barnabas.
¹ Informacoes sobre Mexico e Colombia conforme publicacao na World Watch List de 2026, da Portas Abertas.
² Informações sobre Argelia e RDC conforme Guia de Oracão pela Igreja Perseguida, da Ajuda Barnabas.

